Dry Martini, não há receita que carregue tantas lendas e histórias como esse coquetel.

Ter nas mãos uma taça de Dry Martini é estar diretamente conectado a décadas de elegância, glamour e turbulência.

O Dry Martini está profundamente ligado aos anos que sucederam quase todos os momentos de crise e incertezas vividos principalmente nos Estados Unidos e na Europa  (berços da coquetelaria clássica) no último século.

Ainda que seja mais prático dizer que o Dry Martini foi criado em 1860 na Califórnia, prefiro a teoria de que esse coquetel tenha surgido pela capacidade da sociedade exprimir seus interesses e necessidades através de combinações de bebidas.

Sabemos que a receita divulgada hoje em dia não era a mesma há 160 anos, porém as características principais e oespírito do Dry Martini permanecem intactas.

Os Martinis sempre estiveram associados à efervescência e sofisticação, principalmente nos momentos onde a sociedade pretendia comemorar o fim de um momento sombrio e decadente.Na década de 20, com a recuperação da economia após a 1ª guerra mundial, a consolidação de Nova York como a grande cidade do mundo, o movimento art deco e o hedonismo os Martinis viveram seu primeiro boom, que foi disseminado pelo mundo na década de 30 por Hollywood e seus porta-vozes, como Gary Cooper, Greta Garbo entre outros.

A taça Martini se tornou um grande ícone do movimento artístico  Art Deco que influenciou toda uma geração através da arquitetura, artes, literatura, cinema e do estilo de vida americano.

Na década de 50, novamente após uma guerra mundial há um momento de celebração e a família dos Martinis retornam à cena, porém dessa vez com uma nova roupagem, vestidos de vodka, ao invés do até então gim.

Foi no ano de 1956, que Hollywood lançou o filme “Diamonds Are Forever”,onde James Bond eternizou a frase “Shaken not stirred” – mais um dos clássicos das aberrações mixológicas, muito bem comissionado por uma marca standard que pretendia assumir de vez e para sempre o mercado de vodkas.Após três décadas confusas baseadas em conceitos um tanto duvidosos como os whiskies, o abuso do dourado, os movimentos alternativos e a década dos excessos, foi na década de 90 que os Martinis retornam com força máxima, apoiados em uma prosperidade econômica e principalmente na formação de uma família de receitas denominada Martinis, desenvolvida principalmente pelos mixologistas das capitais da coquetelaria no mundo, Londres e Nova York.

Conheça um poster do Dry Martini e todas suas variações.

O Dry Martini é um clássico, um ícone social, um estilo de vida.
É na simplicidade do gin london dry, do vermute seco e da azeitona que estão o seu maior trunfo.

Talvez a sua simplicidade responda o porque esse coquetel é o mais lendário, discutido e imortalizado de todos os tempos.