O Scofflaw faz um grande brinde à Proibição Americana! Acha contraditório?

O Scofflaw foi inventado no famoso Harry’s Bar de Paris em 1924, mas sua história começa em 1923 quando o banqueiro americano Delcevare King lançou um concurso de viés proibicionista para cunhar um termo que significasse “o bebedor fora-da-lei”.

O termo scofflaw (ao pé da letra “zomba-lei”) foi o escolhido para se referir aos bebedores fora-da-lei, como uma maneira de denegrir a imagem destes cidadãos americanos que não seguiam a proibição.Durante a Lei Seca, vários americanos acabavam viajando para outros países com o intuito de beber, os bartender do Harry’s Bar criaram um coquetel em homenagem a estes “zombadores” da lei e batizaram-no ironicamente de Scofflaw.

Este drinque do baú leva whiskey canadense, uma vez que as destilarias americanas estavam desativadas, suco de limão siciliano, xarope de romã (grenadine), orange bitters e um toque dos bartenders parisienses, o vermute francês.

O vermute francês, também conhecido como dry vermouth ou vermute seco, é um ingrediente cujo caráter seco e herbal é pouco aproveitado pelos bartenders o que acaba por torná-lo um ingrediente exclusivo para o preparo de Martinis.

Por ser um produto à base de vinho e com baixo teor alcoólico, os vermutes devem ser mantidos refrigerados e consumidos dentro do período máximo de um mês, evitando assim a oxidação do produto.

Veja como os russos lidam com bartenders que não refrigeram os vermutes

Um fato interessante sobre o vermute seco é que ele tem a propriedade de ressaltar os sabores ao qual é combinado, além de trazer um sutil toque herbal. Sendo assim, no caso do Scofflaw é possível utilizar menos whiskey do que utilizaria-se num Whiskey Sour. Inclusive, a receita original de 1924 utiliza partes iguais de whiskey e dry vermouth.

As receitas atuais não utilizam o whiskey canadense, mas sim um bom whiskey americano e reduzem a quantidade de vermute. Mas vale a pena experimentar de ambas maneiras.

Além disso, a combinação do vermute francês com o xarope de romã combina de tal forma que lembra um vinho tinto, sendo assim o Scofflaw acaba sendo um coquetel de paladar semelhante a um New York Sour.
Que tal fazer uma comparação entre as receitas destes dois Drinques do Baú?

Apresento agora uma receita com medidas para este delicioso clássico esquecido.

45 ml whiskey americano
30 ml vermute seco
20 ml suco de limão siciliano
15 ml xarope de romã (grenadine)
1 dash de orange bitter

Em uma coqueteleira, bata todos os ingredientes com gelo e coe para uma taça resfriada. Decore com uma casca de laranja.

Aproveite este coquetel e reflita sobre o quão importante são nossos direitos de escolha e faça um brinde ao “Grande Experimento” americano.

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