O Americano é o drinque mais consumido pelos italianos.

Os bares italianos são, em geral, bem parecidos, tanto em tamanho quanto em formato, mas podem ser divididos facilmente em dois tipos: os que abrem bem cedinho e fecham junto com o comércio local, no fim da tarde, e aqueles bares que abrem no começo da tarde e fecham só por volta das duas da manhã, lembrando mais um pub inglês. E é o horário que determina o tipo de alimento e bebida que ali são servidos. itália

No primeiro caso, a gama de produtos vai de um bom café latte a pequenas comidinhas e pratos, passando por drinques mais secos e doses.

Já no segundo caso pode-se consumir diversos tipos de drinques, desde um Sbagliatto até uma dose de Sambuca com café espresso, com música alta.

Aliás, não dá pra não pensar em bares italianos sem a ideia de um Caffe. Isso por conta dos hábitos de se consumir sentado, aos poucos e sempre, entre uma comidinha e outra, entre um cigarro e outro, entre uma conversa furada aqui e acolá.

Nisso, eles nada têm a ver com os American Bars, mas sim com o estilo europeu de consumo. Como falar de bares italianos sem citar um dos ícones dos bares, Harry’s Bar, de Veneza?

Não quer dizer que não existam bares modernos na cidade, como o Just Cavalli, localizado no meio do Parque Sempione, e o Bar Basso, os dois bares cravados no coração moderno de Milão. Mas em geral falamos de uma cultura mais tradicional.

A Itália já apresentou ao mundo inúmeros bartenders competentes, porém, curiosamente, todos eles trabalham fora do país, em cidades como Barcelona, Londres e Paris. itália

Para citar os principais nomes da coquetelaria italiana temos em primeiro lugar Salvatore Calabrese, conhecido como “Il Maestro”, que acaba de lançar o pior drinque mais caro do mundo.

Max La Rocca é outra figura ilustre na coquetelaria mundial, representando o World Class pelo mundo, além de manter um atualizado blog chamado Listen to the Ice, que eu super recomendo.

Aqui você pode ler a entrevista dele para o Mixology News. Max, além de ser uma pessoa encantadora, tem desenvolvido diversas técnicas interessantes. Giuseppe Santa Maria é da nova geração de bartenders de sucesso. Trabalha no Hotel Ohla de Barcelona e é considerado o melhor bartender da Espanha atualmente, após conquistar uma série de campeonatos de marcas e consolidar seu nome no Ohla.

Na famosa lista dos 50 melhores bares do mundo, que você pode ler inteira aqui, apenas um bar italiano aparece, o Nottingham Forest, de Milão. Na lista de 2016, ele subiu 8 posições em relação à lista de 2015 e está em 38º lugar.

Agora falta entender o que se bebe nesse país, certo?

Após conversar com bartenders europeus, brasileiros e estudar os hábitos de consumo na Itália, podemos dizer que a cultura italiana está baseada nessa seleção de drinques aqui abaixo.

Americano, Spritz, Sambuca Molinari e o Sbagliatto. Sim, essa é a essência italiana. E claro, não vamos nos esquecer de clássicos como Mojito, Dry Martini e Cosmopolitan, mas como sabemos, isso acontece em todo o mundo.

O Americano é o drinque mais consumido pelos italianos. Ao contrário do que diz o nome, é feito com ingredientes exclusivamente italianos. Basicamente é um drinque montado que leva Campari, vermouth tinto, água com gás e uma fatia de limão siciliano.

O Spritz é uma herança húngara da época da dominação em Trieste, na Itália. Porém, nessa época, tomar um Spritz era tomar um vinho (tinto ou branco) com água com gás. Com o passar do tempo a bebida foi disseminando-se e criando outras formas, ou seja, não há Spritz com receita perfeita. Atualmente, vemos crescer a versão do Aperol Spritz (da foto), que combina Aperol, Prosseco/Espumante e fatia de limão.

O Bellini é um grande coquetel, uma lenda nos bares clássicos. Uma receita criada em meados dos anos 30 mas só batizada e vendida em 1948. A criação se deve a bartender Giuseppe Cipriani no Harry’s Bar de Veneza, Itália. Sua combinação é simples, suco de pêssego e champagne.

O Sambuca Molinari é um ícone italiano. São poucas as bebidas que se associam a um país como o Sambuca à Itália. Basicamente é um licor de álcool neutro de cereais com infusão de anis estrelado e outros segredinhos guardados em família. Agora, ao contrário do que imaginamos, Sambuca Molinari não é só uma bebida para depois da refeição. É comum encontrar jovens nos bares tomando shots de Sambuca puro e bem gelada, algo que não acontece em outros países.

O Sbagliatto é um aperitivo clássico italiano. Pode chamá-lo de Negroni Sbagliatto também, porque é uma variação do clássico Negroni. Porém, a diferença é que no Sbagliatto se usa espumante brut, e no Negroni, gin. Vamos à receita. Vermouth tinto, Campari, espumante e gotas de angostura, que é opcional.